Godot
Postado em
July 19, 2008
Categoria: Poesia | Comente
Providência
Estou à espera dos assassinos
Que nunca chegarão Sejam tragados
pelos caminhos O labirinto
do próprio inferno, que edificam
Diante, só, da montanha Luz de julho
Não posso tirar férias A retirada
Aqui a vida não vale nada Mas a fuga
Ao ponto após a caminhada Não acaba
este azul Com o azul embriagada
“Devoradores”, Primeiro Lugar e a carta a Astolfo Araújo da roteirista de “Tainá”
Postado em
July 2, 2008
Categoria: Literatura, Livros, Uncategorized | Comente
Breviário está com tudo e também o Primeiro Lugar, com “Devoradores”, de Astolfo Araújo, no Google. Ao receber um comentário da roteirista de “Tainá”, Astolfo me telefonou e recomendou colocar a bela mensagem no blog. Realmente a carta de Cláudia Levay é uma celebração do livro, a cada dia sendo descoberto por mais leitores, aqueles mais qualificados. Temos de nos orgulhar (orgulho positivo que é verdade pura) de “Devoradores”, do breviário.org, do Primeiro Lugar e do hotsite criado pelo Diego Barreto Ivo. Leiam a carta (abaixo) de Claudia Levay a Astolfo Araújo:
Oi Ana
Me escreveu Cláudia Levay. Roterista de cinema e TV.
Se você achar legal, use-a no seu blog.
Astolfo
“Caro Astolfo!
Desculpe a demora em responder. Estive às voltas com infernos astrais, próprios dessa área de cinema e TV, mas as coisas vão se resolvendo.
Gostei muito, muito, dos Devoradores.
A história prende, e surpreende. Aquele final revelação de Qualquer, muito bem sacado. Numa segunda leitura, percebemos muitas pistas sutis, coisa de boa literatura. Também gostei bastante das personagens de Cássia e Kiss e suas reviravoltas psicológicas. Quanto à narrativa , Devoradores é um prato cheio. Os comentaristas tiveram toda razão em colocá-lo ao lado de Hemingway e Steinbeck. Sua maneira original e rica de lidar com as palavras tempera a leitura, dá vontade de ler mais e mais.Tem estilo. Sua obra é o artesanato da palavra.
Espero que lance um segundo banquete logo.
E que nos reencontremos em breve.
Cláudia Levay”
Guloseima
Postado em
June 21, 2008
Categoria: Poesia | Comente
Beijos doces
gostosos
seus lábios
Beijos flores
plantadas
seus lábios
Beijos rápidos
sedosos
seus lábios
Beijos doces
flores
rápidos
lábios demorados
Cobrança delicada
Postado em
June 15, 2008
Categoria: Cotidiano | Comente
Onde estão os novos posts dos dois Diegos e do Cléber? Estão fazendo falta. Quando Vinícius dará o ar da sua graça com o primeiro post? Escrevam, precisamos de vocês para o breviario ser inteiro um hyperblog.
Corpus Christi era Dia Santo Corrompeu-se em feriadão
Postado em
May 22, 2008
Categoria: Cotidiano, Cultura | 2 comentários
O post de Manoela Afonso, neste Breviário, me leva à deterioração que vivemos no circular pelas ruas das cidades. Se me alieno no conforto deste meu bairro das Perdizes, tudo é luz, em maio. Faltam ônibus, sobretudo nos domingos e feriados. Se pegamos o ônibus, começa o drama, os motoristas em geral são esses seres rudes que nada informam, arrancam com sofreguidão, derrubam passageiros ou quase, os cobradores ficam mudos a uma pergunta do interlocutor perdido. São eles desaforados, em geral, salvo raríssimas exceções. É a grande falta de educação prosperando solta, balizando tudo, porque nenhuma ascensão econômica, por melhor que seja, sem investimento na cultura, educação, nas artes em geral, só agaravará a barbárie cotidiana. A começar pelos novos ricos, o lumpesinato formado pela burguesia e sua inconsciência insana de novos ricos toscos. O povo consumidor de celular também não é um coitadinho. É preciso conscientizá-lo para o Outro e para si mesmo, pelo menos treiná-lo para o exercício das boas maneiras em seus ofícios. Aviso que não pertenço às hostes da direita, acredito em mudanças perpetradas pelas revoluções pacíficas, ou melhor, incruentas. O primeiro passo é a manifestação, como fez Manoela Afonso. Cria-se uma corrente. Blogar é um pouco isso, ou é isso?
Ontem, véspera de Corpus Christi em São Paulo. A corrida para o feriadão. Desde quando Corpus Christi não é mais dia santo? Para mim esta corrida mortal de feriados prolongados (precisamos mesmo é de férias tranqüilas), trânsito parado, é o próprio “diabo solto no redemoinho”. Para mim, Corpus Christi tem de voltar a ser dia santo, Festa do Corpo de Deus, como se diz em Portugal. Será ainda isto possível no interior do Brasil, especificamente no interior de Minas, quando as meninas de anjo jogavam flores durante a procissão, os colégios católicos levavam seus alunos em uniforme de gala e havia um ritual calmo, as mulheres cantavam e o Santíssimo abençoava a todos nas ruas? Eu não sou saudosista, porque muitas vezes a vida é melhor longe das famílias e com o pé na estrada. Não com o pé nessas estradas em que nos estouramos como uma boiada de carros, todos saindo de São Paulo num exaustivo rumo ao feriadão, um corredor para o matadouro quando o stress das estradas rompe a segurança tênue da nossa mão. Que a nossa Igreja Católica cuide para que Corpus Christi volte a ser um Dia Santo ao abrigo da calma azul do céu de maio junho. Ou quem sabe faça como ocorreu com a Ascensão e a Epifania, estas celebrações foram transferidas para o domingo seguinte. Não pensem que não adoro estar hoje aqui em casa, sem precisar ir para a guerra do trabalho. Eu falo de humanização da vida, hoje em estado bárbaro. Meu texto não é linear. Estou em guerra conta esta sofreguidão que transformou o ritual solene e calmo de um dia santo em feriadão e fuga desarvorada, a cegueira do estouro da boiada pisoteando com seus cascos a cidade, deixando-a para trás. Para nós, que gostaríamos, sim, de sair calmamente para bucólicas férias. Amanhã vou à Casa das Rosas, tratar do lançamento do livro do Pedro Rosas, “A vida começa no verão” , com quarta capa escrita pelo Luiz Thunderbird.
Stress
Postado em
May 17, 2008
Categoria: Poesia | Comente
Stress
O martírio
nas condições de trabalho
E o vento
O vento levita as folhas
E o vento
Música
Brancas de papel
Qualquer devaneio
Mártires
Não se deixam morrer
E vivem quando morrem
E o vento
O vento levanta as folhas
de papel
sobre
O devaneio levanta a saia
Brancas sobre a mesa
(Ana Cândida Costa, do livro Elogio do Homem)
Devoradores, por que “livro para iniciados”
Postado em
May 16, 2008
Categoria: Livros | Um comentário
Muitos leitores deparam-se com dificuldades técnicas para enviar seus comentários diretamente aos blogs, não falo somente deste breviario.org, onde mandar comentários não é difícil, mas do meu blog Ana Candocha Opinião Própria (anacandidacosta.blogspot.com). Seja por que meio for, e-mails, fax, etc., o que importa é recebê-los. A leitora Luiza Freixinho enviou para Astolfo Araújo um comentário muito pertinente, acertando o alvo dizendo que Devoradores é um livro para iniciados. Por quê? Ora, para iniciados porque é um livro mais fácil de ser compreendido por aqueles que viveram a contracultura, a resistência política contra as ditaduras, os idos de 1964, 1968, 1970, 1980 tudo o que mudou o mundo para melhor e foi retomado para pior. Hoje o Estadão, em matéria de capa do Caderno 2, noticia que a banda Justice foi proibida de exibir seu clip, dirigido por Romain Gavras, por ser uma exaltação da violência. Pelo que se entende, Justice, como uma Laranja Mecânica do século XXI, retrata a violência dos jovens imigrantes nos países desenvolvidos num desafio predatório às sociedades que acolheram suas famílias. Não tão simples assim. Devemos abominar qualquer ato de violência (o espetáculo físico da violência é totalmente cruento), mas muito além da crueldade que gera todas as crueldades está o modus operandi dos bancos, o sistema financeiro que rouba o direito de pagar das pessoas, que fecha fábricas e empresas, desaloja as pessoas das casas numa espécie de ditadura econômica cada vez mais potencializada, que gera um desemprego endêmico entre a juventude do planeta. Quer violência maior (indecência mesmo, porque ato farisaico) que este anunciado leilão de imóveis da Caixa, com anúncios na TV, malas diretas milionárias enviadas para todos os lares (eu recebi um lindo envelope envolto em celofane), quando sabemos que muitos desses imóveis foram retomados de forma vil, impedindo seus ocupantes de pagar, porque as condições oferecidas são inviáveis e os juros infláveis, mesmo que a inflação esteja baixa? E a propaganda enganosa de que as prestações são decrescentes, mas eles sobem os seguros. São todos devoradores. O que precisamos hoje é de democracia econômica. Lutar contra a tortura econômica dessa macoeconomia perversa que traz regressão aos direitos constitucionais dos cidadãos. Mas eis, abaixo, o comentário de Luiza Freixinho, para o livro Devoradores, romance político policial do cineasta Astolfo Araújo, “um livro para iniciados” na história da contracultura, nas revoluções políticas e revoluções de costumes perpetradas pela juventude universal, tendo 1968 como ano símbolo:
O que mais me impressiona no seu brilhante trabalho é a narrativa.
Não é um livro digestivo.
É para iniciados.
E por incrível que possa parecer senti uma certa nostalgia daquela época feita de absolutas certezas, principalemte quando vejo os anos oitenta e o que eles não fizeram.
Espero que a inteligênciaburrabrasileira se curve ao talento de Astolfo Araújo.
Parabéns!
Saída — homenagem aos rapazes Xico, Serginho, Diego
Postado em
May 11, 2008
Categoria: Poema opinião | Comente
Um blog é uma pregação
no deserto? Se um ler,
outro saberá. Um abrigo
São os seus braços Os meninos
que me defendem Serão anjos
da guarda esses bons rapazes
que me tomam as dores
e as carregam para lá?
Eles fazem teleconferências Dizem
que me defendem Os guardiões
da minha sala Sou moça
Ainda banco a rainha Tenho
uma coroa de pecados
O cetro com que bater
o inimigo Fustigar invejosos
e a predação dessa barbárie
Escrito em 24/4/2008
“Blowing in the wind”
Postado em
May 1, 2008
Categoria: Uncategorized | Comente
Blowing in the wind
(Título citação do título da canção de Bob Dylan para a orelha do livro Devoradores, de Astolfo Araújo, escrita por Flávio Moreira da Costa, escritor que freqüentou as páginas da revista literária Escrita, que circulou nos anos 1970 até 1980, difundindo textos dos grandes escritores universais (como Borges e Becket), lançando novos (Ivan Angelo de A Festa, Adélia Prado, Moacyr Scliar, muitos mais) e relembrando autores brasileiros de peso, longe do grande público, como Dalcídio Jurandir e Dyonélio Machado, o autor do romance Os Ratos. Pois considero extremamente necessário em consideração aos leitores da amada blogosfera transcrever neste Breviário.org o prefácio do Flávio Moreira da Costa, totalmente dentro do espírito das efemérides em torno aos 40 anos do maio de 1968. Devoradores inclui esta geração, cujos, de alguns, os pais eram parte da Guerra Civil Espanhola.)
“BLOWING IN THE WIND
Nós que amávamos tanto a revolução — bem, parece que este leve tom de nostalgia, já no início, anuncia o fim e não o começo. Há alguns anos, John Lennon (que também, à sua maneira, tratou da revolução) anunciava que o sonho havia acabado. E, em Devoradores, lemos:
‘ — Sem mais conversa. Acabou.
— Não para nós — Qualquer arrisca um argumento.
— Para todos. Stalin morreu, o muro caiu, tudo morreu, o século morreu.’
E a nossa juventude, acrescentaria. Nós que amávamos tanto a revolução vivemos a liberdade da década de 60 e, em seguida, a repressão da década seguinte, pegamos tudo isso de proa, marinheiros de primeira viagem que éramos. Estávamos todos no mesmo barco e não sabíamos: comunistas, trotkistas, Ação Popular, Polope, maoístas, Aliança Libertadora, anarquistas e mesmo beatniks, hippies e roqueiros da primeira leva. O que unia a todos era a luta contra o “sistema”, era não entrar nele, não brigar com ele, em nome do “céu marxista”, do “paraíso socialista”, contra os “burgueses, os exploradores do povo e os alienados”. Era bom ver as coisas sagradas serem destruídas… Ou foi bom enquanto durou? Há um inegável tom de reminiscência, de memória daquele idealismo das causas perdidas: “Bons tempos em que havia apenas o Bem e o Mal, Deus e o Diabo, se não houvesse gente como nós, o povo não teria devorado a Revolução com mais gula e caminhado para o Futuro. “Bons tempos? ” O problema foi a caminhada para o Futuro. Nós, os que amávamos tanto a revolução, fomos obrigados a deixar de amá-la ou a colocar este amor entre parênteses. Ou a cultivá-lo apenas nas nossas cabeças, ouvindo Bob Dylan nos dizer que a resposta, meus amigos, a resposta, is blowing in the Wind, no aconchego do nosso quarto, talvez com um pôster antigo de Che Guevara na parede. Mais do que a Itabira do poeta, apenas um retrato na parede, mas como dói!
Astolfo Araújo começou como cineasta. Às armas foi seu primeiro filme. Curta carreira de cineasta que prosseguiria com seu segundo longa, tempos depois, O Ibrahim do subúrbio, uma deliciosa crônica social localizada num subúrbio carioca, com José Lewgoy dando um banho de interpretação. Mas o cinema também era um sonho da nossa geração e o sonho, como já dissemos, repetindo Lennon, acabou — acabou-se o que era doce.
‘ — Menos a prisão, não quero morrer na prisão. Rodolfo tem as provas e a chave.
— Você tinha que carregar o passado.’
Acabou-se o que era doce e quem quiser que conte outra. Astolfo quis e contou. Tematicamente, e sem nenhuma insinuação de comparação de influência, esse seu romance alia-se a outros que se pretendem um balanço dos anos pós1-964, como, para citar os mais bem realizados, Bar D. Juan e Reflexos do baile, de Antônio Callado, e L’herbe a brûler, de Conrad Detrez (O jardim do nada, em português), um belga que andou militando entre nós na Ação Popular.
Devoradores vem agora, em pleno começo do século XXI, como um balanço do autor e de sua geração, para bagunçar um pouco o eterno coro dos contentes. Não é um qualquer.”
Flávio Moreira da Costa
Comentário coletivo Ir ao cinema “Otávio e as Letras” e livros
Postado em
April 26, 2008
Categoria: Uncategorized | Comente
Agora que nos chega um novo editor para o Breviário, o Diego passou o cetro e não disse o motivo (sou curiosa, quero sempre saber por quê). Bem-vindo, Vinícius. Mas esse comentário é para dizer que estou vendo novas postagens da Manoela e do Edson Júnior, além das belíssimas postagens filosóficas do outro Diego, e por tudo o mais, acho que o Breviário dorme e acorda, e o que é dito para ser dito é muito bom para todos, os de casa e os invisíveis leitores da blogosfera. Obrigada a todos.
Ontem rabisquei algo como um poema e, ao ler o Estadão de hoje, Caderno 2, p. D3, vi que foi lançado um filme com o tema dos meus rabiscos, “Otávio e as Letras”, do cineasta Marcelo Masagão, que “brinca dizendo que um milhão de pessoas vão assistir ao seu novo filme”. Que seja. Que um milhão de pessoas comprem livros, o consumo necessário. Vou repetir esta frase como um bordão: “Comprar livros: o consumo necessário”. Em homenagem ao Marcelo Mazagão, crio outra frase: “Ir ao cinema: uma saída necessária.” ou “Ir ao cinema: um destino obrigatório.” A Musa publicou um livro, “Ir ao cinema: um olhar sobre filmes”, do Humberto Pereira da Silva, colaborador da Revista de Cinema. Lá vão meus rabiscos:
Sineta e Silêncio
Eu enchi o mundo de letras,
as vidraças de letras, os cadernos
de letras, a areia da praia
de letras, jardins de letras, o
chão de letras, tudo marcado
de letras com o monograma
da minha poesia Posso cantarolá-la
Quem irá lê-la baixinho
com o seu coração? Pegá-la
nos altos e baixos A repetição
e o inesperado do inédito A revolução?
A taça com fezes E o copo
de plástico com o melhor vinho
tinto na mesa do livro.
25/4/2008
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