coração de estudante
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June 18, 2008
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Postal no formato A4 feito para participar da Mostra Internacional de Arte Postal - evento divulgado pela amiga artista Constança Lucas. O tema é “Coração de Estudante”, por conta do dia 11 de agosto - Dia do Estudante.
Nada melhor do que dizer aqui o que eu sentia nos tempos de escola mas não tinha coragem de falar a ninguém.
Se você quiser participar é só enviar um postal no formato A4 até o dia 20/06/08 para:
Mostra de Arte Postal
A/C Carolina Ruoso
Rua Barão de Aracati, 1552
Aldeota - Fortaleza/CE
CEP 60115-081
“sem recusas, sem censura, todos os trabalhos serão expostos” (assim diz o regulamento)
Sitpass não é Paz na City
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May 20, 2008
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… essa grande sacada é da Daniela Oliveira, colega de mestrado que foi minha vizinha aqui em Goiânia. Realmente, ela disse tudo. Sitpass (http://www.sitpass.com.br/) é o nome do bilhete/passagem que nos permite circular de ônibus pela cidade… e definitivamente ele “não é paz na city”.
Eu nunca passei tanta raiva ao usar um sistema de transporte coletivo na minha vida. Dentre os poucos que conheço ao perambular por aí, o de Goiânia está como o primeiro nos quesitos “péssimo, caindo aos pedaços, tosco, quente, barulhento, sujo e até perigoso”. Já fiquei presa pela mochila na porta de entrada de um ônibus, já quase fui atropelada - na calçada - por um ônibus que enconstava no terminal Praça da Bíblia, já vi um menino de uns 5 anos ficar pendurado na porta (foi assim: um homem que parecia ser o avô da criança descia do ônibus junto com o menino… pegou na mão do muleque e fez com que ele descesse na frente, depois veio atrás sem soltar a mãozinha do pequeno… e isso foi o que salvou o guri: o motorista fechou a porta e arrancou no meio dessa operação. Então ficou o avô para dentro do ônibus e o menino - pendurado pela mão - para fora… e o ônibus andando!
Revoltante.
Recomendo a todos: se você vier passear na terra do pequi, ande de ônibus. É uma experiência única. Você passará calor, ficará irritado devido ao barulho (proveniente do motor, da bateção de janelas velhas, das pessoas gritando, da porta batendo ao fechar…), não receberá respostas aos seus “bom dia” proferidos aos motoristas… na realidade, muitos deles são de dar medo… já briguei com alguns mas depois fiquei temerosa… vá saber até onde vai a tosquice dessas pessoas brutas?
E para confirmar essa história toda, vejam a HQ do Eduardo Spicacci, estudante de design gráfico na UFG… é minha gente, não estou mentindo não!
*** Observem bem o desenho da imagem 4… acreditem, é exatamente assim!
shine!
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April 25, 2008
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Mais uma vez vasculho as pilhas que edificam meu universo particular. A cada centímetro percorrido, um infinito diferente. Outros tempos, outros espaços.
Encontrei algo muito brilhante dentro de uma pasta de papelão que estava entre muitos papéis, que estavam dentro de um plástico, que estava dentro de uma pilha composta pelas Cartas a Théo, por uma pasta canaleta preta, e plásticos, e papéis, tubos de tinta a óleo, flanela, escova de prancheta, pincéis chineses, lâminas para estilete, pó, pêlos amarelos de gato.
Tudo muito bem equilibrado em cima de um banquinho vermelho.
Leis da gravidade.
O brilho aumentanva à medida que eu adentrava nessa selva: tirei os objetos, depois os livros, depois a pasta preta, depois os papéis… cheguei ao plástico. Abri-o. Retirei as pastas, os papéis… e o brilho aumentava.
Encontrei um coração. Nele, um pedido:


E eis que vem o choque: diante da brutalidade, da estafa, da rotina, do cumprimento de tarefas, das relações estagnadas, da automação: a poesia. Sempre ela. Brilhante. Regeneradora.
O poema hoje é o pedido por mais brilho. Enquanto lá fora o mundo concretiza, segundo a segundo, o ritual autofágico que abastece a máquina-sistema, a criança só pede brilho.
- Deixa a gente usar a porpurina por favor!
Você tem porpurina para emprestar? Meus olhos têm pedido brilho… têm perdido brilho.
***
Quando eu era professora no Colégio Nossa Senhora de Sion, em Curitiba, por volta de 2002, de vez em quando recebia esses bilhetinhos das alunas. As meninas eram loucas por purpurina, mas geralmente o brilho é algo caro. Mas regular o brilho é uma maldade. Era impossível não ceder a esses pedidos em forma de coração. Como fadinhas, elas queriam colocar brilho em tudo: no desenho, nas unhas, nas mãos, no rosto, no mundo. Mal elas sabiam que o brilho é a própria infância.
Bakun-Buchmann-Back
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March 2, 2008
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Estranhas conexões as que, de repente, desvelam-se diante dos olhos e vêm à consciência. Estava aqui preparando as aulas desse semestre, todas envoltas em conteúdos relacionados ao desenho. De cara fui ao meu livro de Orlando DaSilva - Guido Viaro: alma e corpo do desenho - pelo qual tenho muito apreço, pois ganhei um exemplar diretamente das mãos do autor-gravador-artista-escritor-portuga, em Curitiba, por volta de 2004 ou 2005 (sem falar que nele há um texto inspiradíssimo a respeito da arte do desenho, de autoria de DaSilva). Nesse livro, o autor inicialmente apresenta os textos de Viaro a respeito de outros artistas paranaenses… e assim fui cair em Bakun, pelo qual sempre tive uma admiração distante, pois não conhecia direito sua história, apenas algumas de suas pinturas expostas nos museus de Curitiba ao longo dos anos em que lá perambulei. A lembrança de Bakun levou-me imediatamente a Luciano Buchmann, artista do qual gosto muito, meu ex-professor na pós-graduação concluída em 2004, na Faculdade de Artes do Paraná. Buchmann transformou a história dos pioneiros das artes no Paraná em livros infanto-juvenis; certamente um projeto lindo e de grande importância (tem uma amostra lá no meu Diário de Bordo). Tenho 2 de seus livros já há 5 anos, mas só agora fiz as leituras com a devida atenção… mas acredito que tudo tem seu tempo. E é dessa forma que mantenho interesse e curiosidade pelas coisas que tenho em minha casa… muitas delas eu não conheço, estão ali esperando o seu momento de revelação.
Bom, Buchmann, através de Bakun, levou-me a Back: creio que foi em 2004. Eu perambulava pela Asa Sul, em Brasília, ainda desvendando a cidade. Encontrei um sebo e, feliz da vida (pois Brasília não tinha cara de quem ia me oferecer sebos perdidos em ruazinhas tortuosas) adentrei seus corredores para fugir um pouco da horizontalidade e da geometria sufocantes da cidade. Fui direto às prateleiras do assunto ‘arte’, como sempre. Como que um sinal profético, vi em letras bem grandes: BAKUN.

Eu estava sem grana naquele momento, então escondi o catálogo lááááá no fundo da estante e voltei no dia seguinte, afoita, para adquirir esse exemplar. Pensei: Curitiba está me chamando! Eu estava em crise com Brasília, uma cidade difícil de digerir logo de início… não estava certa da minha decisão de ter deixado Curitiba tão abruptamente. Enfim, fiquei em crise. Mas adquiri o catálogo, não o li, a crise passou e, agora, 4 anos depois, DaSilva leva a Viaro que leva a Bakun que leva a Buchmann que leva a Back, o qual eu desconhecia por completo. Sylvio Back é cineasta, foi por isso que encontrei um catálogo seu - autografado - em Brasília, sede de um dos festivais de cinema mais importantes do Brasil. Divido com vocês alguns trechos da referida publicação, a qual elucidará mais a respeito do grande artista que foi Bakun e desse importante cineasta nacional tão preocupado com a memória do sul/sudeste - desmemoriado - do nosso país.
1. Primeiro quero destacar e concordar com as afirmações feitas por Padrella. Eu, como filha dessa terra e conhecedora das dificuldades de ser artista em Curitiba, dou-me esse direito:
2. Um pouco sobre Sylvio Back:
3. O belíssimo cartaz do filme:

4. Para finalizar, um presente para os olhos: uma pintura de Miguel Bakun

Fonte dos textos e imagens: “O auto-retrato de Bakun”, catálogo do filme de Sylvio Back, 1984.
***Uma observação: como falei em algum lugar do texto, essas conexões partiram de Guido Viaro. Então, não poderia deixar de mostrar uma das pinturas desse mestre italiano radicado no Paraná, sobretudo quando o texto de Buchmann que acompanha a imagem fala dos meus Cumulus…nimbus. Apreciem, até a vista. (fonte: Buchmann, Luciano. Guido Viaro: Guido vendo longe. p. 3).
Eterno retorno
Postado em
February 22, 2008
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Canta ao longe
a voz que ontem vivi.
Cala-se a natureza,
mas repetem-se,
numa oração de séculos,
as mesmas palavras,
as que me acordaram.
Apagam-se o sol e as luas,
mas uma voz de pelúcia
acaricia-me os ouvidos.
A voz de um brinquedo quebrado.
A voz que ouço sem saber imitar.
Antonio Costella, do livro Currículo do Tempo, ed. Mantiqueira. (Campos do Jordão)
Bem amigos, estou quase de volta, voltando sempre… re-voltando. Em breve retomarei meu projeto de me perder nas memórias, ficar à deriva sobre lembranças, sobre cumulusnimbus. Volto já - e esse “já” contém todo o tempo do mundo.
da leitura de ontem à noite
Postado em
November 21, 2007
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“A experiência, e não a verdade, é o que dá sentido à escritura. Digamos, com Foucault, que escrevemos para transformar o que sabemos e não para transmitir o já sabido. Se alguma coisa nos anima a escrever é a possibilidade de que esse ato de escritura, essa experiência em palavras, nos permita liberar-nos de certas verdades, de modo a deixarmos de ser o que somos para ser outra coisa, diferentes do que vimos sendo.”
Jorge Larrosa e Walter Kahan - do livro ‘O mestre ignorante’, de Jacques Rancière
MEME
Postado em
October 15, 2007
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A convite do Diego, lá vai minha quinta frase da página 161 do livro mais próximo a mim:
“A vida parece ter se originado nos oceanos primordiais que cobriam a Terra há 4 bilhões de anos.”
HAWKING, Stephen. O universo numa casca de noz. São Paulo: Mandarim, 2001.
Por falar em origem da vida, nós estivemos ontem no Vale do Amanhecer, que fica aqui próximo à Brasília, em Planaltina/DF. É a doutrina mais sincrética que já vi em toda a minha vida. Para quem quiser saber mais sobre Tia Neiva e Pai Seta Branca, confira: http://www.valedoamanhecer.com/
Pessoas, convido todos vocês a postarem nos comentários a quinta frase completa da página 161 do livro mais próximo a vocês. Bjos!
vai Talião, corta-lhe a mão!
Postado em
October 6, 2007
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De vez em quando vem a lucidez: êta vidinha engaiolada medíocre essa de cidadã correta, contribuinte, em dia com as contas, com os compromissos, com a boa educação.
“Por favor”, “bom dia”, “obrigada”.
Eu gosto dessas palavras. Gosto de atitudes civilizadas. Gosto da polidez inglesa. ‘Um cubo ou dois, madame? Um, por favor’. Mas é sempre bom lembrar que tratamento civilizado não é para todos. Há quem mereça todas as conseqüências de um dia de fúria. Espíritos de porco - antes o fossem, pois eles, os porcos, são civilizados - merecem mesmo aquele xingamento em slow motion, aquela cortada no trânsito, aquela buzinada gostosa e infinita seguida de vááários golpes de luz alta. Aqui no Goiás faço isso com mais cuidado, visto que os casos apresentados no Linha Direta são comuns por aqui.
E esses ladrões de galinha? Merecem aquele tiro pro alto, aquele muro com arames e cacos e eletricidade para proporcionar algum divertimento. Quer levar? Pode levar. Mas ao menos mereço rir um pouco, aqui do lado de cá das grades da janela e das portas fechadas à tetra. Já me falaram que a justiça tem que começar pelo Congresso… ahhhh! Mas o que eu posso fazer efetivamente contra um Calheiros? Eu quero é queimar um Judas, o que estiver mais próximo, já que dificilmente poderei crucificar ‘o homem’.
Tudo bem, não foi dessa vez. Ontem um maldito ladrãozinho roubou roupas do meu varal. Que situação ridícula. O infeliz virou freguês, visto que é a segunda vez que vem ao brechó da classe média decadente. E foram-se os lençóis, uma toalha de banho desbotada com mais de dez anos e uma camiseta do Snoop, também muito antiga, mas conservada. Que puxa! O puto escolheu a dedo, deixou os prendedores, mas realmente não sabe reconhecer o valor das coisas. Ainda bem. Deixou a camiseta do Metallica e a calça do meu pijama de ursinhos - deve ser algum pagodeiro vileiro. É sim! Isso é um preconceito! Bastardo pagodeiro!
Restaram apenas as fronhas alaranjadas e floridas, com as quais cubro meu rosto de vergonha por não ter coragem de armar uma bela tocaia para o ‘maledeto’. Vai que ele resolve se vingar e passar atirando contra a minha pessoa de dentro de um Opala preto rebaixado ao som do pior funk tipo “cachorra”? Mas deixe estar, em breve enviarei o meu recado. Aguardem.
***Tomara que as pulgas do meu gato por enquanto possam se vingar por mim. Ovos, eclodam!
Detalhe: a camiseta que estou usando nessa foto tirada hoje é a mesma do post ali embaixo, onde estou com a Lua, anos 90. Então, vocês podem entender o amor que tenho pelas minhas roupas velhas?
Um milho desgarrado
Postado em
July 12, 2007
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Preciso registrar esse momento: reles, porém, cheio de significâncias.
Estava eu, na solitária madrugada de quinta-feira, em gyn - bebendo rum, a bebida dos saqueadores.
Depois de milênios sem entrar no msn, encontrei meu amigo ‘fazedor de amanhecer’, Bernardo.
Eu em Goiânia, ele em Piraí/RJ.
Rum daqui, vinho de lá.
Eu ouvindo Fado e ele Aretha Franklin.
Ele fazendo biscoitos e origami - e eu acompanhando o processo pela webcam.
Nesse entremeio, muita besteira, muito papo de boteco, muito riso frouxo e as bochechas ficando vermelhas. Mais vinho de lá, mais rum daqui.
Lá pelas tantas fui reabastecer meu copo e resolvi comer o que tinha na geladeira: 1 último palmito boiando no vidro e o resto das ervilhas em conserva.
Animadamente continuamos nosso papo e eu, às colheradas, comendo as ervilhas todas. De repente me dou conta de algo extremamente inusitado: um milho forasteiro!
O que faz um milho querer ser enlatado com ervilhas? Será uma questão de gênero? Mas ele continuará enlatado!
De certa forma, o milho desgarrado falhou em seu projeto rebelde; ele apenas passou a ser um enlatado com os diferentes, negando sua origem de grão de milho. Quantos equívocos daqueles que pensam que poderão se fazer passar por verdes quando são descaradamente amarelos. E não há mal algum: uns são verdes, outros amarelos, e viva a diferença.
Oh pequeno grão de milho, ao menos você mostrou alguma inquietação. Mas da próxima vez, procure algo além da lata.
Fecha-se um ciclo
Postado em
July 9, 2007
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Nascer, comer, crescer, latir, correr, brincar, adoecer, sofrer, morrer.
Quando o fim fica aí, escancarado, a vida parece tão besta, tão pequena.
Hoje a Lua fechou o seu ciclo e, junto com ele, marcou uma etapa importante da minha vida. Foram 15 anos e 1 mês… tempo equivalente à metade da minha própria caminhada.
A Lua presenciou meu primeiro namoro e todos os outros, assistiu tantos momentos felizes e tristes. E por falar em namoro, lembra quando arrumei um namorado pra você? Você o ignorou por completo! Mas eu entendo, ele era meio abobado mesmo… você tinha toda razão.
Chorei e dividi segredos com ela. Era minha companheira enquanto eu lavava as roupas - deitava em cima dos meus pés, com a bunda pesada encostada na minha perna. Era companheira de prancheta, quando eu virava a noite fazendo desenhos… companheira de ateliê, quando ficávamos produzindo no depósito lá de casa… Passamos muito tempo juntas! Mas a mudança para Brasília nos afastou muito, a partir de 2003. Sinto tanto por não ter passeado mais com você Lua!
Acompanhei suas cirurgias - uma delas eu até assisti: uma mastectomia radical.
Movimentei meio mundo quando ela fugiu, logo depois de umas dessas cirurgias… foi uma história fantástica: eu já estava em Brasília quando meu irmão me contou, por telefone, que ela havia fugido de casa, em Curitiba.
12/01/04
Rapidamente fiz um cartaz virtual com uma foto e com os dados dela e, então, comecei a espalhar para tudo quanto é endereço eletrônico de amigos e de associações de animais que eu ia encontrando na internet.
15/01/04
Meu pai, que trabalhava em Santa Catarina nesses dias, disse que até ouviu na rádio o aviso de “cão perdido”… e pensou: “putz, ainda não acharam o cachorro”… - porque ele se descuidou do portão, então estava com a consciência pesada.
Minha mãe disse que o locutor falou o nome da raça de maneira engraçada: ao invés de sheepdog falou sheeptok hahaha. E não é que foi assim que ela foi encontrada? Ela estava num bairro próximo ao nosso, na casa de uma senhora, que a recolheu. Depois que ouviu a chamada na rádio ela ligou lá pra casa… e minha mãe foi buscá-la. Que alegria! Essa mobilização levou cerca de uma semana.
16/01/04
É, dona Lua, você deixou alguma história para contar.
Eu ainda tinha esperanças de vê-la ao menos mais uma vez, agora no final de julho… mas você não pôde esperar, essas coisas não podem esperar, não é? Não têm hora marcada, não dá para adiar. É quando a morte fica à espreita que nos damos conta da fragilidade de tudo isso, do mundo e das coisas do mundo.
Hoje, por volta das 9h30 da manhã, a Lua tomou anestesias e, depois, uma injeção letal… foi levada pelo Dr. Luiz, que já tratava dela há algum tempo e, então, seu corpo foi incinerado.
É estranho… fiquei muito triste. Já derramei minhas lágrimas. Mas não poder ver seu corpo sem vida, tocá-lo e chorar sobre sua carcaça, de certa forma, deixou aqui viva uma sensação esquisita, uma esperança de que vou cruzar com ela em alguma esquina por aí.
Ou talvez mais tarde, Lua, nas nuvens fofas e branquinhas como o seu pêlo.
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